quinta-feira, 2 de abril de 2009

Esperança feminina

Não tenho o gene do nhenhenhém. Consequência: sou antirromântico. Por esse motivo fui ver o filme Ele não está tão a fim de você. É baseado no livro Ele simplesmente não está a fim de você - Entenda os homens sem desculpas, dos americanos Greg Behrendt e Liz Tuccillo, da equipe de roteiristas do seriado Sex and the city. Claro que não se trata de um panfleto contra a paixão, o amor e os relacionamentos sérios. É uma comédia de Hollywood, não um filme cabeça. Há finais felizes. Finais porque são algumas histórias e personagens que resvalam uns nos outros. Mas até que cutuca a questão da esperança - principalmente das mulheres - de encontrar o par ideal.

Gigi, a personagem que está mais em busca do homem da sua vida, recebe várias lições diretas sobre o comportamento masculino. Tem a ajuda de um consultor - um gerente de bar galinha - que mostra a ela todas as artimanhas dos caras para dispensar uma mulher. Mesmo assim, Gigi mantém as expectativas. Fica esperando os caras ligarem. Inventa desculpas sobre os motivos pelos quais os sujeitos não quiserem um segundo encontro com ela. Pior: persegue alguns deles. Por e-mail, telefone ou indo até os locais frequentados pelos indivíduos. É caricato. Óbvio. Só que muitas garotas ainda adotam posturas como as de Gigi.

Isso me intriga. Por que muitas mulheres ainda focam na busca do relacionamento sério. Existem as explicações psicológicas mais difundidas. Uma delas é a de que o ser humano sente falta do aconchego do ventre e dos cuidados da mãe quando bebê. Isto provoca uma sensação de incompletude que, na mente humana, somente será superada por meio de um relacionamento amoroso como namoro ou casamento. Um relação oferece segurança emocional. Vai ver que eu nasci completo. Sou misógamo. E, entre segurança e liberdade, principalmente no lado afetivo, fico sempre com a liberdade.

Muitos especialistas atacam o romantismo. Flávio Gikovate, um psicoterapeuta midiático, é um deles. Ele é mais vaselina, pois precisa ser político por conta de suas participações na imprensa e como consultor de empresas. No livro Ensaios sobre o amor e a solidão, Gikovate diz que as relações amorosas de melhor qualidade se parecem mais com amizade do que o ardor - o cíume, o controle e a possessivade - romântico.

Regina Navarro Lins, autora de Fidelidade obrigatória e outras deslealdades é mais contundente. Ela se posiciona contrária à fidelidade sexual. Além disso, aborda o poliamor. Trata-se do seguinte: uma pessoa pode constituir uma rede de relações amorosas. Morar com alguém que seja melhor companheiro, ter um outro parceiro sexual e depois sair com alguém mais divertido para jantar.

A americana Laura Kipnis enfia ainda mais o pé na jaca em Contra o amor - Uma polêmica. Gosto muito da objetividade da maioria dos americanos. Laura escreve que o casamento é um prisão. Um subaproveitamento de todas as possibilidades de relações.

Estou com Laura. Não consigo entender por que as pessoas ainda pensam em apenas um parceiro para tudo. Não compreendo como mais gente não adere, mais abertamente, a este lance de poliamor exposto por Regina Navarro Lins.

Mas, para o encantamento dos carentes, o romantismo continua hegemônico. Os especialistas apenas apontam tendências que ainda vão demorar muito a se consolidar. Enquanto isso, vou ter de ouvir o nhenhenhém de que "todo mundo precisa de alguém".

O melhor de Ele não está tão a fim de você é Scarlett Johansson. Além da beleza, a personagem dela, Ana, mostra-se, ao final, uma representante da liberdade sexual e amorosa. Repito minha tese já externa anteriormente: casamento é para os medíocres. Os muitos bonitos, muito inteligentes, muito cultos ou muito talentosos devem ser livres.

quinta-feira, 19 de março de 2009

O bem é brega


É cafona chamar alguém de “do bem”. Isto se verifica observando as pessoas que são consideradas “do bem”. Trata-se, na maior parte dos casos, de gente malvestida. De cabelo ruim e desarrumado. Exemplo: Betinho, o sociólogo da campanha contra a fome.

Além do papo ingênuo – que é brega, porque denota falta de refinamento intelectual - de quem leva a sério as categorias de bem e de mal. E se distinguir por ser “do bem” deprecia. Significa que o cara chama atenção por honra, não por beleza física, bom gosto, inteligência, repertório cultural e talentos.

Estética e sofisticação precedem dignidade e retidão. Já mencionei o Betinho. Tudo bem que ele estava fisicamente debilitado pela AIDS, contraída por intermédio de transfusões de sangue em função de hemofilia. Mas aparecia na mídia com roupas puídas. Camisas de algodão vagabundo, que deixavam à mostra o tronco ossudo dele. As calças pareciam ser de tergal. Não dava vontade de ajudar.

Outro exemplo: vegan. Recusam-se a usar produtos compostos de matérias-primas de origem animal e acabam bem mal-ajambrados. Uma vez conheci uma garota desse tipo que usava umas sandálias com tiras feitas de barbante. Aquilo ficava sujo. Fora uns calçados de plástico – devia ser biodegradável, eles se ligam nessas coisas – e pano que certamente davam um puta chulé. Pior que existem roupas, sapatos e outros acessórios de couro sintético. Não entendo por que esse pessoal não se arruma.

Prefiro ser engambelado – se tiver que ser – por pessoas compostas. Uma mulher longilínea. Que veste vestido preto, terninho ou jeans casual-chic ajustados ao corpo dela. Faço questão que alguém assim tente me dar um golpe. Pode ser financeiro e até mesmo sexual.

Esse pessoal que se diz “do bem” ou é muito magro ou é bastante gordo. Há vegetarianos que por acharem imoral comer bicho se entopem de massas e doces. Terminaram parecendo porcos, elefantes ou gatos gordos. Comam peito de frango grelhado e fiquem alinhados, caramba.

Os cabelos também são lamentáveis. Todo ongueiro que vejo tem cabelo de aparência suja. E as mulheres “do social” nem se penteiam. Alisamento e escova para elas seriam a minha contribuição ao bem comum. A exceção é a Viviane Senna. Já era refinada e continuou depois que passou a comandar uma instituição beneficente.

Espero jamais ouvir ou ler “Marcelo Amaral é do bem”.





terça-feira, 10 de março de 2009

Revelação: por que emagreci

Perguntam-me por que eu resolvi emagrecer. Claro que a maioria vem com os clichês "Está apaixonado?" e "Tem mulher na jogada?". Vou revelar o que acontece. Há muitas mulheres na jogada. Várias. Mas não tem nada que ver com relacionamento e transa. Sou portador de autossuficiência afetiva e sexual. A questão é que quando eu estava gordo muitas mulheres viam em mim a figura de pai de família. Não sei bem os motivos. Não me interessa saber. O fato é, que em todos os meus círculos de convivência, a maior parte do mulherio dizia que eu tinha cara de bom marido e bom pai. Que merda.

Isso me incomodava. Podem achar o que quiserem de mim. Exceto duas coisas. Uma delas é essa de pai de família. A outra seria de bicho-grilo. Mas posso ficar tranquilo. Jamais aparentei ser bicho-grilo. Ando arrumado. E sou muito ligado em coisas materiais, principalmente artigos de luxo. Achei que se entrasse em forma - junto com esse meu pendor metrossexual - poderia destruir essa imagem de marido e pai. Queria ter cara de conquistador. De mulherengo. Até de viado. Contanto que me livrasse da percepção de "benzinho", "amor" e "papai".

As que me consideram reprodutor eram, na maior parte, gordas. Elas me viam com o par perfeito para formar com elas uma família moletom. Falo daquele casal que vai com os filhos sábado à tarde passear em algum shopping. A mulher, uma baleia, de conjunto de moletom rosa. Parece um bicho de pé. O doce bicho de pé. Só falta polvilhar açúcar refinado em cima. O marido de moletom cinza. Barriga caindo. As crianças também de moletom. Correndo. Entrando nas lojas. E os pais esbaforidos atrás. Eu queria sair fora dessa fantasia.

Parece que estou conseguindo me desvencilhar da cara de pai de família. Um exemplo. Há poucos dias encontrei com duas moradoras antigas do meu prédio. Conheço-as há mais de 20 anos. Uma divorciada, sem filhos. A outra casada desde de sempre com o mesmo homem, mãe de dois rapazes, na faixa dos 30 anos, um deles, trouxa, já casado. A casada sempre me pergunta quando vou casar. Nem precisei responder dessa vez. A divorciada mandou: "Agora que ele tá assim bonitão, cê acha que vai querer casar? Vai é curtir".

Quem sabe agora serei atacado por uma mulher pegadora. Não vai acontecer nada em termos sexuais. Sou frígido. Mas quero ser atacado.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Chatices espiritualistas


Não sou apenas misoteísta. Vou além do aborrecimento com discursos religiosos. Também sou antiespiritualista. Qualquer nhenhenhém sobrenatural me chateia. É um saco isso de buscar significado superior em tudo.

Sei que vão dizer que os seres humanos precisam acreditar em algum tipo de transcendência para suportar a vida. Argumentarão que mitos religiosos são fundamentais para erguer e preservar civilizações. Embora não se pode deixar de falar nas destruições em nome da fé.

Sem contar as bizarrices. Como a da dos conservadores contra o sexo. Os carolas afirmam que as catástrofes naturais são uma retaliação divina por conta da fornicação, do aborto e a boiolagem. Há ainda aquela mescla de cristianismo com marxismo, a Teologia da Libertação. Heloísa Helena diz que aprendeu socialismo na Bíblia.

Está pior agora com a onda new age. São os produtos espirituais vindos do Oriente. Tem gente com mania de saudar os outros com o termo hindu namastê. Quer dizer que o deus interior de um cumprimenta o deus interior do outro. Se alguém me mandar um namastê, vou tratar de me afastar. É caso grave de esquizofrenia. Porque além de achar que existe uma entidade dentro dele, acha que existe também uma dentro de mim.

Existem ainda as chinesices. Tipo feng shui. Como se a reorganização de móveis pudesse produzir transformações na vida de alguém. Entra na mesma categoria de crendice e charlatanismo de cartomancia e astrologia.

Outra coisa: as pessoas muito religiosas e espiritualistas que conheci são sensíveis e emocionalmente intensas. Os sensíveis quietos e retraídos – desde que não se transformem em sociopatas – até que passam. Mas os veementes são duros de conviver. Não aceitam ter suas crenças e opiniões contestadas. Consideram-se superiores, porque são sensitivas. Elas têm intuição. Enxergam além das coisas. Por isso se julgam detentores do monopólio da crítica, direcionada a materialistas como eu.

Têm valores espirituais elevados. São dotadas da capacidade de amar profundamente. Doam-se aos outros. Que nada. O intenso requer atenção o tempo inteiro. São carentes. Isso. Espiritualidade é carência. Transformam coisas simples, como beber água, em grandes eventos. E se o outro não entra na pilha dele – assista ao espetáculo da hidratação, perceba e comente como aquela comunhão cósmica do sensitivo com o líquido da vida – o sujeito fica puto. Considera o outro cara espiritualmente inepto.

Eu prefiro os valores monetários. Não troco meus relógios e minhas roupas pelo amor. Em vez de formar uma família, vou montar um home theater. Quando digo algo assim, os espiritualistas dizem que um dia vou olhar para trás e ver que não construí nada. Se eu quisesse construir alguma coisa, teria tentado virar engenheiro em vez de jornalista.

Eu gostaria que a evolução – falo de Biologia, de darwinismo - desse cabo da espiritualidade. Mas não acredito que isso aconteça. E se acontecer não será durante a minha vida, que é o período que me interessa. Vou ter de mesmo de suportar gente que acha ter alguma importância para o Universo.






quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Base masculina


Passei a ir à manicure nos últimos meses. Não tenho periodicidade definida nem local de preferência. Quando acho que devo fazer a unha, procuro um lugar perto de casa ou de onde esteja no momento. Na última vez, fui a um salão especializado em mão, pé e depilação no Shopping Morumbi. Paguei vintão. E, além das unhas das mãos, resolvi também fazer um dos meus discursos anticasamento.

Só tinha mulher no lugar. Aproveitei que uma manicure – morena de cabelos encaracolados pintados de louro, na faixa dos vinte cinco anos, gorda e com cara de carente - tocou no assunto e lancei minhas teses. Falei que elas deveriam esquecer a história de casamento. Mas, se por acaso elas não resistissem e acabassem indo morar com alguém, que não tivessem a expectativa de que seria para a vida toda.

A mulata que fazia minhas unhas me olhou feio. Franziu o rosto magro e com rugas ao redor dos olhos – parecia a mais velha das funcionárias, perto dos cinquenta, imagino – e falou: “Mas como? Eu já tô casada há mais de dez anos”.

Respondi o óbvio: “Então tá na hora de separar”. Fiquei esperando a manicure não apenas arrancar um bife. Achei que ela fosse arrancar todos os meus dedos. Mas ela não fez isso. Levantou-se dizendo que precisava pegar um vidrinho de base masculina, que estava em falta mesa dela.

Continuei falando. Preguei o desfrute da liberdade de se relacionar com várias pessoas. Que dormir e acordar com a mesma pessoa durante anos e anos é um tédio. Mais ainda: os velhos são cada vez mais saudáveis e independentes. Portanto, já caiu a ideia de que a pessoa necessita de um parceiro na velhice. Bobagem. Há amigos, parentes, colegas, amantes e outras companhias para idosos. A gorda que puxou o assunto do casamento disse que fazia sentido. Só que deu o argumento clássico das mulheres: “É que a gente ainda é criada na expectativa de casar”.

Ouvi um som vindo de atrás da minha posição. Olhei para trás. Uma japa magra bronzeada - de saia curta preta e batinha cinza - fazia mãos e pés. Esmalte cor de amora tanto nos dedos de cima quanto nos de baixo. Ela comentou com as funcionárias que a atendiam: “Vou casar daqui a oito meses”. Ouvi. E emendei: “Ainda dá pra desistir”. O pessoal riu. Menos a minha manicure, que já tinha voltado e estava passando a base nos meus dedos. A japa não disse nada. A expressão facial dela não demonstrou irritação. Droga. Sou um psicopata verbal. Tenho prazer quando minhas palavras afetam as pessoas.

Na hora de pagar, perguntei se a moça do caixa – uma gordona, daquelas de cara bem redonda – era casada. Ela disse que sim. Lamentei. Até que fui educado. Eu deveria ter dito que no caso dela casamento é cabível. Ela não estava capacitada para arrumar muitos parceiros.

A manicure mulata que me atendeu continuou olhando feio pra mim na saída. É que eu não dei gorjeta.




domingo, 25 de janeiro de 2009

Chutar cachorro vivo

Tenho usado a força contra animais de estimação. E a coisa funciona. Cachorros e gatos ficam com medo de mim e param de encher o meu saco.

Um exemplo. Fui a um almoço na casa de uma das minhas várias tias. Esta é irmã do meu pai. Sempre que vou lá me desentendo com a cachorra da casa. O bicho se chama Sofia. Acho que é uma poodle. Tem aqueles pêlos finos encaracolados. Mas a cor dela é cinza, não branca.

Logo que eu entrei, Sofia começou a latir e pular nas minhas pernas. Pedi à neta da minha tia, uma menina de uns oito ou nove anos, para afastar a cadela de mim. Não fui atendido. Muito bem. Apelei para a violência. Coisa que deveria ter a feito nas minhas visitas anteriores a esta minha tia. Quando Sofia pulou de novo na minha perna, dei uma coxada nela. Joguei a cachorra longe.

Sofia não veio mais para perto de mim. Na saída, cruzei com o animal. A cadela se encolheu e encostou na parede. Gosto demais da sensação de provocar medo em alguém. Gente ou bicho.

Claro que não vou chutar ou coxar rotweiller e pitbull.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Comido por viados e baleias

Ando sendo devorado com os olhos por bichas magricelas e mulheres gordas. Pessoas de outras formas também me olham. Só que as secadas mais fortes são dos gays delgados e das balofas. Não correspondo aos assédios visuais. Mas me divirto bastante com a coisa.

Logo que comecei a ficar com um corpo decente – eu era um paquiderme de 111 quilos que agora está com 77 -, notei um monte de homem olhando para mim. Principalmente aquelas bichas fashionistas. Bem magras. Que usam calças – jeans pretos ou azuis bem escuros – muito justas. Secas, mesmo. As pernas de gente desse tipo parecem duas baguetes. Camisetas também bem apertadas. Muitas vezes são adornadas. Cabelos bem baixos ou arrepiados com gel. Outro traço marcante: óculos de acetato – ou algum outro material plástico – de aros bem grossos. A maioria deve ser de vendedores de lojas de marcas brasileiras de moda, tipo M.Officer e Ellus.

Comentei isso com uma amiga. Ela disse que um dos motivos pode ser o fato de eu ser elegante. Desde gordo eu sou muito ligado em roupas e acessórios. E agora que estou com uma forma física mais legal, a minha amiga acha que minha elegância se tornou ainda mais destacada. Sendo bichas fashionistas, faz sentido. Elas me medem de cima a baixo. Dão especial atenção ao meu abdômen. Não estou ainda com barriga de tanquinho. Mas está bem aceitável para quem me vê vestido. Claro que se sentem atraídos pelo rosto, em especial meus olhos azuis.

Mas eu penso que há um elemento a mais. As bichas fashionistas podem achar que sou da mesma turma delas. Minhas roupas ainda não são tão apertadas. Só que também não são folgadas. Faço de tudo para ter um visual o mais longilíneo possível. Passei a usar camisetas tamanho P – antes eram GG ou até mesmo XGG. Meus óculos são de acetato com aros azuis. Não são grossos, mas têm um toque fashion. Eu prefiro que desconfiem que sou viado a andar desleixado e maltrapilho. Não abro mão de certas viadagens.

Só que o assédio mais prazeroso tem sido o das gordas. Há poucos dias, no Shopping Villa-Lobos, em São Paulo, fui visualmente comido por duas obesas de uma vez só. Devem ser irmãs, pois são muito parecidas. Imagino que na faixa entre 23 e 27 anos. Gordas tipo maçã, redondas por inteiro. Aquela cabeça redonda, de almôndega. Olhos pequenos e pescoço escondido pelas banhas. Estavam agasalhadas, pois estava frio em São Paulo no dia.

Eu estava com uma malha azul – da tonalidade do azul da bandeira do Brasil – jeans azul-claro e mocassins azuis. A combinação faz com que meus olhos brilhem e chamem mais atenção do que normalmente chamam. As irmãs polpettone passaram por mim num dos corredores do shopping. A que aparentava ser a mais nova olhou ostensivamente para os meus olhos. Acho que ela cutucou a irmã, que também começou a me secar. Deixei que elas olhassem por uns dois segundos. Aí virei a cara. Só que diminui o passo para ouvir um possível suspiro ou comentário. E veio um comentário que validou todo o meu esforço em prol da estética pessoal. A que eu considerei a mais velha disse: “Só porque é bonito é metido”.

Poder praticar o esnobismo tem sido a maior recompensa de estar galã. Meu barato não é pegar mulher. Meu lance é recusá-las. Chegar numa roda de amigos e dizer que come todas é muito comum. Um clichê masculino. Não vejo graça nisso. Quero falar para os caras: “Desprezei quatro semana passada”.

Não me caracterizo pelo que faço. Mas sim pelo que eu não faço.