sábado, 13 de março de 2010

Conferência


PALESTRA
DEJE
DEBOCHE, EGOLATRIA, JACTÂNCIA E ESNOBISMO


DEBOCHE – O prazer da zombaria

- ERE – Escarnecer, Ridicularizar e Embaraçar
- Ironia e sarcasmo como forma de deleite
- Chegar ao êxtase pela provocação
- A importância de ser politicamente incorreto
- Iconoclastia: destruir reputações e mitos
- Deboche sensual: vida devassa e voltada para os vícios

EGOLATRIA – Eu sou a medida de tudo

- Liberalismo pessoal: eu precedo o coletivo
- Apologia do egoísmo/egocentrismo
- Orgulho
- Hedonismo: o prazer imediato é o que vale
- Consumir para satisfazer-se
- Tirar proveito das fraquezas e paixões dos outros

JACTÂNCIA – Modéstia é coisa dos fracos

- Vaidade é vida
- Cabotinismo: atrair as atenções
- Ser poderoso pela arrogância
- Imodéstia como instrumento de sex appeal

ESNOBISMO – A satisfação do desprezo

- A força do sentimento de superioridade
- A graça de humilhar
- Eu sou o padrão de gosto elevado
- Seduzir para esnobar

terça-feira, 9 de março de 2010

Sem bondade

Não tenho simpatia por muitas convenções sociais. Uma das que não aprecio é a saudação “bom dia”, “bom tarde ou “boa noite”. Não me vejo com a obrigação de desejar que o dia seja bom para alguém. Se vai ser bom ou ruim, problema de cada pessoa. Melhor ainda: problema de que como a mente de cada indivíduo vai processar os acontecimentos.

Ouço gente reclamar que subiu num elevador e ninguém deu “bom dia”. Ou mesmo por não retribuir o cumprimento. Carência total. Se o sujeito precisa que as pessoas - ainda mais desconhecidos - lhe saúdem, é porque está sofrendo.

Considero um “oi” ou aceno perfeitamente suficientes. Aliás, não necessito de nenhum gesto ou palavra para começar um dia, tarde ou noite.

Já sei o que a turma do “antigamente não era assim” vai dizer. Vão lamentar que hoje em dia as pessoas, sobretudo os mais jovens, são mal-educados. Não há mais cortesia. Tem outra: os humanos estão mais individualistas e não se preocupam com seus semelhantes. Queixas daqueles que não se conformam que o tempo passa e alguns costumes se modificam.

Acho excelente que as pessoas sejam mais individualistas. Que possam ficar voltadas para elas sem ter de observar certas convenções sociais. A pressão de ter de se adaptar a normas e procedimentos pode trazer muito mais dano psíquico do que a falta de “bom dia”.

Se há sensação de que o mundo está mais violento, não é por conta de individualismo exacerbado. É simples: tem mais gente no planeta atualmente. Quanto mais seres humanos, obviamente, mais conflitos.

O aspecto tempo também deve ser levado em consideração. A vida agora é bem corrida. E a necessidade de dar “bom dia” para todo mundo que encontra pode provocar atrasos.

Exemplo: dar bom dia aos guardas de uma portaria de condomínio faz com que a pessoa perca segundos na chegada às ruas do itinerário dela. E estes segundos vão representar mais carros pela frente e semáforos fechados. Resultado: atraso para reuniões de negócios e demais compromissos.

É esquecer o “bom dia” e cada um cuidando das suas coisas.









domingo, 21 de fevereiro de 2010

Homem sueco

Igualdade de gênero elimina o cavalheirismo. Foi o que depreendi ao assistir a um dos episódios da série Fora de Casa, no canal GNT, em 2009.

O programa trazia histórias de mulheres brasileiras vivendo no exterior. Em um deles, uma brasileira que mora na Suécia disse que lá no país escandinavo há igualdade entre homens e mulheres.O sueco divide todos os afazeres domésticos. Cuida muito bem dos filhos, quando os têm. Mas ela se queixou de ausência de cavalheirismo. O sueco lava prato, só que não abre a porta do carro. O sueco cozinha, entretanto não manda flores.

Já sei que as mulheres vão pensar: “o ideal é um homem que junte as duas coisas, que seja tanto parceiro quanto cavalheiro”. Mas isso não parece possível, pelo depoimento da brasileira que vive na Suécia. É que a igualdade acaba com a reverência. Não se coloca mais a mulher num pedestal. Se estão todos no mesmo patamar, não se vê mais a necessidade daquele nhenhenhém e jogo de cena para a conquista.

Considero excelente a eliminação do cavalheirismo. Não tenho simpatia por qualquer tipo de reverência e idolatria. Até a meu favor. Se alguém se mostra muito fascinado em relação a mim, eu não curto.

Trato e homens e mulheres da mesma forma. Com algumas exceções, claro. Cumprimento homens com aperto de mão e mulher já conhecida com um beijo – bem vagabundo. Mas não passa disso. Não mudo meu vocabulário. Se tiver falar palavrão na frente de mulher, falo. Se tiver de discutir assuntos pesados – sexo, criminalidade brutal, minha falta de apreço por animais e crianças – pertos das mulheres, discuto.

Mais: considero dispensáveis mimos do tipo abrir a porta do carro. Para mim, isso é equiparar uma adulta a uma criança. Os carros hoje têm portas automáticas. E as mulheres são independentes o suficiente para abrir a porta e sentar no banco de um automóvel por elas mesmas. E ainda outra questão: muitas vezes é a mulher que guia. O cara vai de passageiro. Todo mundo igual. Sem frescuras. Para nenhum dos lados.

Sem essa dos conservadores de costumes que pregam a manutenção dos papéis tradicionais de homens e mulheres. Não haverá caos e destruição civilizacional se homens passarem a cuidar de casa em vez de mandar flores. As coisas mudam e se ajeitam. Vieram a pílula anticoncepcional e mais liberdade sexual e nem por isso o mundo acabou.

Mas muitas mulheres ainda não abandonaram o anseio por reverência. Não percebem que mais paparico pode significar mais fogão e máquinas de lavar. Até porque agora a mulherada também iniciativas em relacionamentos afetivos e sexuais.

Sempre desconfiei que nasci na Escandinávia e fui trocado por uma criança brasileira. Exceto pelo fato de não ter cabelo loiro, tenho todas as características que ouvi serem atribuídas a suecos. Inclusive no aspecto sexual, já que não sou um amante latino. Acho que vou pintar o cabelo.


Marcelo Amaral
e-mail: mcamaral@uol.com.br
www.twitter.com/marcamaral





domingo, 7 de fevereiro de 2010

Jornalista não presta

Os normais – gente com cérebro que produz muita poesia, como aspirações, sonhos e envolvimento em causas individuais ou coletivas – têm orgulho da atividade profissional que abraçam. Sentem-se ofendidos quando alguém fala mal da classe à qual pertencem.

Não tenho isso. Sou formado em jornalismo. Não sou orgulhoso disso. Mas também não sou desgostoso. E não me sinto obrigado a defender “os jornalistas” ou “o jornalismo”. Podem falar que jornalista é vendido. Que jornalista é manipulador. É uma opinião e pronto.

Vou dar um exemplo. Participo de um grupo de discussão na Internet que reúne majoritariamente profissionais de Recursos Humanos. Há neste grupo uma psicóloga especializada em psicodrama. É uma técnica de treinamento pessoal e profissional baseada em dramatizações. Esta psicóloga cita um tal de Moreno, fundador do psicodrama, em quase todas as intervenções dela na rede.

Resolvi debochar. Chamei psicodrama de teatrinho para adultos. Perguntei por que ela sempre citava esse Moreno, um sujeito que ninguém conhece. Aliás, só deve ter alguma relevância no nanocosmo psicodramatista. Minha colega de grupo ficou ofendida. Mandou uma mensagem com um discurso que me pareceu de indignação por eu ter atacado a atividade dela. Mais: o psicodrama, afirmou, trata-se de uma técnica altamente respeitada na atualidade.

Pode até ser que o psicodrama tenha alguma importância. Embora na revistas de disciplinas da mente que leio – as que vão para as bancas, tipo Mente & Cérebro e Psique – nunca tenha visto matéria ou artigo sobre esta corrente. Não leio as publicações mais especializadas.

Só que a questão é esta indignação profissional. Eu só fiz uma provocação barata. Não conheço o tal psicodrama. Não sei como se dá o trabalho desta minha colega de grupo virtual. Apenas tirei sarro. Mas os normais levam as coisas muito a sério. E acabam sendo irresistíveis para mentes irreverentes.

Penso que reações coléricas a opiniões – sobretudo a opiniões como as minhas, que não mudam em nada a situação de um profissional ou de uma categoria – são contraproducentes. Só dão munição e cartaz para quem opinou. Além serem feias. Feias no sentido estético. Basta ver as feições que se formam no rosto de uma pessoa indignada ou enfurecida. Dá rugas de expressão.

Por isso que sou favorável a deixar que qualquer tipo de opinião possa ser manifestada. Não por que se trata de uma convicção moral. E sim por conveniência. Vale falas preconceituosas, racistas, ofensivas, infundadas e tudo mais. Os esforços devem-se ser alocados para atacar as ações. Se alguém é racista e aquilo fica só no pensamento e na boca dele, beleza. Ele deve ser detido e processado apenas se agredir fisicamente ou discriminar – expulsar de um elevador, por exemplo - o objeto do ódio dele.

Há ainda uma questão econômica envolvida. Custa caro reprimir. E vai custar duas vezes mais combater tanto pensamentos e opiniões quanto iniciativas. Creio que será mais eficaz usa os recursos para atuar sobre o que as pessoas fazem e não sobre o que elas pensam e dizem.

Exemplo: penso que punir quem nega o Holocausto não inibe o surgimento de grupos neonazistas. Quem tem ódio por judeus – assim como negros, nordestinos e homossexuais, no caso brasileiro – não vai deixar de odiar porque calam a boca de quem fala do assunto. Pelo contrário, os calados podem até ser transformados em mártires. E aí o fanatismo vai crescer. Quem não gosta vai continuar dizendo que não gosta, mesmo que seja clandestinamente. Mas pode evitar cometer atos de violência porque dá cana brava.

É por isso que ataco o politicamente correto. Além de chato, é dispendioso e ineficaz.

Volto ao início. Jamais me vendi. Porque até agora ninguém quis me comprar.



Marcelo Amaral
e-mail:
mcamaral@uol.com.br
www.twitter.com/marcamaral




domingo, 24 de janeiro de 2010

Adultos versus adolescentes

O IMAPEC - Instituto Marcelo Amaral de Pesquisas Comportamentais - tem como um dos seus principais pontos de observação a moda. Chama atenção o fato de homens adultos estarem se vestindo como adolescentes. A saber: tênis cabeção - com uma biqueira de plástico ou de borracha, tipo All Star-, calças e bermudas largas estilo streetwear e boné. Agora parece fazer sentido a reclamação de muitas mulheres de que falta homem no mercado. Só a escassez explica o fato de parte do mulherio acima de 25 anos se sujeitar a andar com caras mal ou inadequadamente vestidos.

Eu tenho muitos comportamentos adolescentes. Alguns até pré-adolescentes. O mais gritante deles é ainda ser financeiramente dependente dos meus pais. Moro com eles e não faço nada para mudar a situação. Até porque sou o filho único, portanto herdeiro único. Mas, em matéria de estilo, sou adulto. Gosto de alfaiataria - roupas sociais. Visto terno - às vezes até gravata - para ir tomar café em um shopping ou na Starbucks mais perto da minha casa. Não tenho necessidade de usar roupa social, já que estou desempregado e não ando frequentando entrevistas de emprego.

Só que gosto de estar alinhado. Uniformes militares - de bombeiro, PM ou soldado - não me despertam interesse. Acho brega. Não só a roupa como as ideais de disciplina, honra e heroísmo envolvidas com os milicos. Quando não estou em estilo executivo, opto por roupas casuais de tecidos mais sofisticados, como sarja. Uso jeans, sim. Mas com menos frequência do que o esperado para um cara de 33 anos da atualidade.

Reparo muito nos casais. Sobretudo nas roupas. As mulheres na maioria das vezes estão bem vestidas. Mesmo em situações de lazer. Na Starbucks que já citei vi um grande exemplo. Era uma casal composto de pessoas, imagino, na faixa dos 30 e poucos anos. Um sábado, agora em janeiro, temperatura em torno de 30 graus. A mulher estava de vestido curto azul-marinho. Sandálias de salto com tiras estilo gladiador de cor creme - cor da pele, no caso dela. Brincos de argola. E o cara estava de calção esportivo - que se deve usar para jogar bola ou para dormir - e uma camiseta surrada com estampa alusiva a esportes radicais. O tênis era um Adidas verde - cor de maconha - cabeção. Imaginei: "Uma mulher deste naipe pode conseguir um cara mais arrumado".

Minha pergunta: caras arrumados estão em baixa? Não sirvo como parâmetro. Sou um bonitão frígido e biopsicologicamente inadequado para relacionamentos. Se fosse só no meu caso, tudo bem. Mas vejo que a coisa está mais disseminada. Tenho visto muitos casais de mulher arrumada - o que é normal - com caras absurdamente largados. Outra pergunta: a oferta estão tão baixa que a mulher tem de se contentar com qualquer desleixado que apareça?

Entre homens rola uma tese - forte - de que mulheres muito bonitas e gostosas e muito bem arrumadas são ruins de transa. São mais preocupadas com a aparência delas do que com prazer, dos parceiros e até delas mesmas. São mesmo troféus. Valem como marketing. Para serem exibidas aos amigos. Mas, para transa, as feias funcionam melhor. É que embagulhadas se esforçam mais para agradar, já que, em teoria, têm menos chances de arrumar parceiros.

Então para homens vale a mesma coisa? Os mais arrumados são piores de cama? Eu sou péssimo.

Agradeço a quem pudar me oferecer seus pontos de vista sobre tais questões.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Patrulha da sensibilidade


Não me comovo com catástrofes como o terremoto no Haiti. Tremor de terra de sete graus na escala Richter em país pobre resulta mesmo em destruição, milhares de mortos e caos social. Não sinto pelo câncer de Hebe Camargo. Quanto mais alguém avança na idade, mais chance tem de desenvolver tumores malignos. Hebe tem um filho chamado Marcelo. Mas não sou eu. Não herdarei nada dela. Não fico triste por ninguém. Assim como não fico feliz por ninguém.

Claro que o padrão humano é demonstrar emoções. Mas existem pessoas cujos organismos não produzem expressões sentimentais. Tal tipo de gente é catalogada por psiquiatras como portadora de Transtorno Esquizóide de Personalidade. Como gosto de nomes mais simples, eu uso TFE – Transtorno de Frieza Emocional. Atenção aos assustados: ainda não existe tratamento eficaz conhecido para o distúrbio. Até porque não se sabe se é doença ou apenas uma modalidade de personalidade.

Há também a confusão entre esquizoidia e psicopatia. Aliás, psicopatia ou sociopatia agora se recebe o nome de Transtorno de Personalidade Antissocial. Esquizóide tem menos tendência para o crime que os antissociais. Eu preferia ser psicopata, que consegue desenvolver capacidade de simular sentimentos para manipular pessoas. Eu daria golpes financeiros.

Meu ponto é o seguinte: se os emocionalmente embotados são obrigados a tolerar discursos melosos, os sensíveis também devem tolerar as manifestações de impassibilidade.

Eu não me comover com as vítimas do terremoto do Haiti não muda nada a situação dos atingidos. Quem morreu já era mesmo. E o trabalho de encontrar os sobreviventes cabe às equipes de resgate. Quem quiser rezar, que ore. Mas não queira que eu faça a mesma coisa. Não quero manteiga derretida escorrendo em cima de mim.

O mesmo vale para Hebe Camargo e outros doentes de câncer. A coisa é problema de médicos e familiares. Qualquer comentário meu é completamente inócuo.

Só que prefiro tratar da sensibilidade emocional nas situações cotidianas. Recentemente, eu estava em uma das lojas da C&A e com um prima. Ela procurava uma camisola da Barbie para uma filha de uma amiga dela. Uma funcionária da loja se aproximou da gente e perguntou se tínhamos o cartão da C&A. Minha prima respondeu que sim. Eu disse que não. A atendente questionou se eu gostaria de fazer o cartão e obter as vantagens – descontos, prazo e parcelamentos. Falei: “Não. Não gosto das roupas da C&A”. Minha prima desaprovou meu comentário. Disse que a moça poderia ficar chateada.

Meu tom de voz sequer foi agressivo. E a minha falta de apreciação pelos produtos não produzirá efeito nos negócios da C&A. Até porque, pelo que observo, a rede de lojas está aumentando. Quanto à funcionária, faz parte do trabalho dela ouvir comentários negativos. Alguns até raivosos e coléricos, o que não foi o caso do meu.

Outra coisa: os sensíveis não são necessariamente os mais fofos. Pessoas emocionalmente intensas – que se envolvem demais com outras pessoas ou projetos – são capazes de barbaridades quando veem suas expectativas frustradas. A ficção oferece bons exemplos. Um deles é o romance O Pau, de Fernanda Young. O livro descreve um sessão de tortura perpetrada por uma mulher ao namorado, motivada pela descoberto de infidelidade da parte dele. Os casos mais graves são chamados de Transtorno de Personalidade Borderline ou Limítrofe.

Os sensíveis desejam conquistas pessoais, profissionais e amorosas. Eu desejo zombar de tudo isso. É a minha natureza humana.






domingo, 3 de janeiro de 2010

Falta de gosto

Considero a esperança um sentimento extremamente brega. Digo isto por conta do rótulo de frustração dado aos resultados da COP15, a reunião sobre clima, promovida pela ONU, em Copenhague, no final de 2009. Só gente ingênua e malvestida de ONG ambientalista para achar que uma conferência da ONU – sobre o que for – pode salvar o planeta.

Apelos ingênuos ao sentimento pela preservação do planeta não funcionam. Há a questão política. Os governantes dos países respondem primeiro ao seu público interno, seus eleitores.

Um presidente ou primeiro-ministro pode até adotar um discurso verde para fora. Mas ele não pode tomar medidas que prejudiquem de imediato a indústria – redução de emissões – e a agricultura – redução de rebanhos - de seu país apenas porque uma turma de bicho-grilo grita que o mundo vai acabar amanhã. O Brasil perderia muito dinheiro se deixasse de desmatar para plantar soja e criar gado. Dizem que os gases liberados pelos bois são bem poluentes. Mas alimentação e balança comercial estão à frente.

Outra coisa é desconsiderar a natureza humana. Gente é bicho. Age por impulsos e instintos. As pessoas não vão parar de desejar. E mais: de realizar os desejos.

Quero ver alguém convencer um chinês – ou qualquer outro habitante do planeta que tenha aumentado a renda e o poder de compra – que, agora que ele tem grana para comer carne, não vai poder porque a criação de gado e o processamento da carne favorecem o aquecimento global. Só dá para fazer isso com muita violência. E mesmo a China não fará isso. Ela quer mais, é claro, que seu mercado aqueça junto com a Terra, se for o caso.

Produtos ecologicamente corretos só vingarão se forem eficazes e financeiramente acessíveis. Não vou trocar meu carro a gasolina – ou mesmo bicombusível, gasolina e álcool – por um elétrico lento e com pouca autonomia somente porque dizem que daqui a 100 anos, talvez, a vida no planeta comece a ficar caótica.

Sequer há certeza de que o aquecimento global foi mesmo produzido por ação humana. E não importa de quem é a culpa. A natureza continuará a ser sugada e modificada. Com ou sem interferência do homem.

A ideia de salvação deve ser abandonada. Tanto por refinamento quanto em termos de leitura da realidade. Eu vou usar – água, combustíveis fósseis e animais – enquanto estiverem disponíveis. E no volume que meus desejos e minha grana permitirem.

Se o mundo acabar, acabou e pronto. Essa história de que mundo deixar para filhos e netos é balela. O único legado que pais proporcionam aos filhos é a morte
.